DaniEla

Ela é chamada de intensa, talvez seja culpa dos cabelos vermelhos.

Ela é chamada de socialmente inadequada, talvez seja a vontade tão grande de conexão.

Ela é chamada de sensível, talvez seja por conta das lágrimas que com frequência escorrem.

Ela é chamada de detetive, cheia de perguntas, talvez por deixar sua criança curiosa vir à tona.

Ela também é chamada de engraçada, por quebrar tantas expectativas.

A chamam de espontânea por sua sinceridade ingênua.

Disseram que ou você a ama ou você a odeia, não tem meio termo.

Ela tem medo de não ser amada, por tantas vezes já ter se visto só.

Ela tem medo de não ser aceita, por tantas vezes não se sentir pertencente.

Ela tem medo de ser chata, por tantas vezes que já ouviu que é.

Ela vive aqui.

Ela, Daniela.

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EU  12/08/2018

 

Um quarto

Fui andar num lugar bem desconfortável. Um lugar da minha alma que parecia não ter sido habitado.

Era escuro, gelado e úmido.

Tinha umas fotos, da minha infância, esquecidas no chão, e umas cartas de amor rasgadas e molhadas.

Tive medo de estar ali, mas aos poucos fui pegando as fotos nas mãos, elas me chamavam tanta atenção.

Fui entrando mais e andando devagar, me forçando a ficar ali. E foi ficando mais claro, meus olhos se acostumaram.

Percebi que bem lá no meio desse quarto tinha uma rachadura no teto, pela qual entrava um feixe de luz, de um sol intenso.

Algo me fez correr para lá, bem no meio, no centro, onde estava essa luz.

Olhei bem e vi que ali tinha terra, era pouco fértil e habitava lá um botão de rosa.

Ela era linda, mas precisava de mais carinho, cuidado e atenção.

Quando cheguei ali, parecia ter entrado num lugar sagrado. E minhas tantas emoções regaram aquela terra com as lágrimas que não contive.

Eu sorri.

Percebi que teria de ficar ali mais tempo e visitar aquele quarto outras tantas vezes.

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