Um quarto

Fui andar num lugar bem desconfortável. Um lugar da minha alma que parecia não ter sido habitado.

Era escuro, gelado e úmido.

Tinha umas fotos, da minha infância, esquecidas no chão, e umas cartas de amor rasgadas e molhadas.

Tive medo de estar ali, mas aos poucos fui pegando as fotos nas mãos, elas me chamavam tanta atenção.

Fui entrando mais e andando devagar, me forçando a ficar ali. E foi ficando mais claro, meus olhos se acostumaram.

Percebi que bem lá no meio desse quarto tinha uma rachadura no teto, pela qual entrava um feixe de luz, de um sol intenso.

Algo me fez correr para lá, bem no meio, no centro, onde estava essa luz.

Olhei bem e vi que ali tinha terra, era pouco fértil e habitava lá um botão de rosa.

Ela era linda, mas precisava de mais carinho, cuidado e atenção.

Quando cheguei ali, parecia ter entrado num lugar sagrado. E minhas tantas emoções regaram aquela terra com as lágrimas que não contive.

Eu sorri.

Percebi que teria de ficar ali mais tempo e visitar aquele quarto outras tantas vezes.

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