Tons de Verde

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Uma vez me disseram que se pudessemos classificar as pessoas, todo mundo estaria em tons de verde, e eu estaria de roxo. E por mais que eu ame a cor verde, eu entendi o que a pessoa quis dizer.

Eu sou diferente. Sou fora da curva.

Muitas vezes os assuntos que as pessoas conversam não me interessam. Outras tantas percebo meus valores tão opostos aos das correntes desse rio,  do rio que insistem em me falar que eu preciso embarcar.

Mas em meio às indecisões de entrar no rio que não quero, nadar na corrente errada, ficar na margem sozinha, ou entrar apenas para boiar; observo o desepero da maioria que já começou a corrida de natação.

Nado impetuoso, desesperados para alcançar a linha de chegada. Só esqueceram de avisá-los que essa linha nunca chega. A maratona nunca acaba.

Está quente e começo a suar,  decido entrar no rio para me refrescar e começo a boiar.

Vou olhando a paisagem linda em minha volta. As florzinhas amarelas que estão nascendo na margem, me distraio com as nuvens dançando no ceú.

E depois do fuzuê dos que passaram por mim nadando aflitos, olhei para trás e encontrei algumas outras pessoas boiando.

E aí percebi que elas também estavam usando tons de roxo.

 

dia 30 de dezembro

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Acordei às 7 horas da manhã em uma casa estranha, numa cama estranha, sozinha. Sozinha fiquei.

Abri meu celular e começou a tocar uma música conhecida de outras temporadas, de outra vida.

A música que eu podia dançar, que podia ser quem eu era. E de repente eu tenho saudades.

Saudades dessa vida e percebo que naquele dia marcava 2 anos que ela acabara.

Eu olhei pra dentro do meu coração e percebi que estou numa curva de bico.

É muito desconfortável. E eu sei que tenho que andar para frente, devagar, devagarzinho em frente, mas meu coração queria poder sair correndo para trás.

E tudo o que consigo pensar é “Será que poderia eu largar a estrada e abrir uma trilha pela montanha?”

Enquanto isso continuo parada na estrada, bem no meio da curva, com medo. Medo de ir, medo de ficar e medo de sair e ir para outro lugar.

Mas agora, já não estou mais sozinha. Agora as lágrimas me fazem companhia…

 

 

 

O que você está esperando para amar?

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Eu me pergunto, acredite, eu me pergunto muitas vezes.

Nessas últimas semanas tenho escutado diversas histórias de possíveis amores. Seja de amigas que nunca acham que o timing está certo, ou de situações em que ninguém tomou uma decisão, um foi morar longe, e o outro não soube se expressar e deu nisso; apenas na possibilidade.

No fundo, no fundo é o medo que paraliza.

Medo de estragar a amizade.

Medo de não dar certo.

Medo de se machucar.

Medo de dar muito certo.

Medo de se abrir demais.

Medo de ser rejeitado.

Medo de ser vulnerável.

É o medo que faz com que alguém no último segundo, no último mês,  diga pra outra pessoa como realmente se sente, fazendo com que a possibilidade de ter tido um relacionamento por um ano inteiro vá direto para o ralo!

Entendo todos esses medos, e também convivo com eles, talvez seja por isso que tenha 26 anos e nunca tenha tido nenhum relacionamento amoroso. E sinceramente não sei o que tanto espero para começar à amar…

Ao ouvir o discurso de uma pessoa que ama muito alguém, mas tem medo de abrir esse amor para o outro, me peguei pensando, mas Por quê não?

Por que não ser sincero com o outro e dizer: “Acho que você é o grande amor da minha vida, talvez eu esteja errada, mas queria tentar aprender à amar com você!”

Por que temos tanto medo dessa rejeição e tantos medos de dizer sim?

Por que tanto medo de dar o primeiro passo?

Não sei, sinceramente não sei, alguém se habilita a responder?

Beijos de paz,

 

Ps: Eu te amo… hahahaha brinks, na verdade queria dizer que escrevi este texto há 6 meses, mas ele ficou aqui no rascunho, acho um momento curioso como ele volta à tona agora 🙂

 

Eu? Quem?

As palavras foram ditas: Escreva sua própria descrição, e depois leia em voz alta.

Assim meio de repente as palavras começaram a sair no papel e, sem pensar muito, aconteceu…

Essa sou eu no processo:

   “Estou me tornando uma jovem mulher, em desconstrução e reforma.

 Reforma de valores, princípios e espiritualidade.

Buscando entender que menos é mais; e sorrir com a criança, conversar com a adolescente, e abraçar a idosa.

Todas as que moram dentro de mim”

 

Às vezes me percebo mulher, muitas vezes ainda menina,

às vezes me sinto artista e vejo o mundo todo em cores coloridas;

Às vezes quero ser cantora e desafino músicas arranhadas de sentido.

Muitas vezes quero ser escritora, mas as palavras parecem que ficam num abismo entre minha cabeça e as mãos, fico pensando se elas se perderam no coração…

 

E você, quem está a ser?

 

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Eu, tentando ser artista, no festival de flores de Holambra em Setembro.

Pare de ESPERAR

Esses dias estava conversando, com um amigo conhecido que mora na Índia, sobre as mudanças da minha vida e os planos do futuro.

Foi  engraçado dizer para ele que provavelmente vou demorar mais do que imaginava para mudar de país, e então ele surpreendido me disse: “Um ano é muito tempo para ESPERAR”.

Esperar… Mas esperar não é viver. Então eu respondi: “Não vou esperar, vou viver!”

Um ano da minha vida, não um ano de espera.

Me fez refletir quantas vezes pensamos que estamos vivendo só para esperar algo mudar e então passarmos a viver de verdade.

“Vou esperar terminar a faculdade.”

“Esperar ganhar mais dinheiro.”

“Esperar trocar de emprego.”

“Esperar casar.”

“Esperar ter um filho.”

“Esperar terminar de ter filhos…”

São tantas esperas que a vida fica presa. Jesus nos disse para viver um dia de cada vez quando falou que basta a cada dia o seu próprio mal.

VIVER.

Se você quer viver comece hoje, corra atrás de seus sonhos, ninguém vai fazer isso por você, nem mesmo o tempo de espera.

Viva agora a vida que quer. Quer malhar todo dia? Comece. Quer trocar de emprego? Procure. Quer casar? Se prepare financeiramente.

Vai ficar aqui mais tempo do que pensava? Continue a viver e fazer relacionamentos.

Continue a viver.

“Continue a escolher viver, Daniela” – preciso dizer para mim mesma.

Quero parar de ser vítima do tempo e ser agente transformadora, vivente de minha própria vida.

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Pare de esperar (PC-google)

A cor da minha pele

A desigualdade mora aqui também.

Do outro lado do (meu) Mundo, saindo de onde infelizmente a minha cor ainda me dá outro valor, outro olhar e outro tratamento, chego aqui onde ser branco também é sinônimo de beleza, riqueza, e ao mesmo tempo de abuso de poder.

Aqui o branqueador não está na pasta de dente, está no sabão de tomar banho, no hidratante de corpo. Eles desejam ser brancos. Aqui eles não ficaram com ódio dos colonizadores que os exploraram por anos, aqui ainda desejam ser parte desse grupo favorecido, tem curiosidade nesse tom de pele pálido e ainda associam que a cor deles não é boa o suficiente. Quanto mais claro mais bonito, e ainda escuto—“ Se não for bonita igual Daniela, (branca e loira) precisa sempre passar maquiagem para ficar apresentável.”

Meu coração estarrecido, doendo em mim que a beleza se associa ao tom da pele nesse lado do mundo, onde a maioria de fato não é branca, mas tem um tom de pele bronzeado digno de propaganda de verão.

A desigualdade mora aqui também.

Mora lá e mora aqui e em nenhum desses lugares eu consigo ficar na casa onde todo mundo é igual. Aonde não tem diferença.

Mas ontem, hoje, e espero que não amanhã, ainda estou na casa de cima. Não sei exatamente quem me colocou lá, e tento, tento sair mas os da casa de baixo e da casa de cima não me deixam.

Parace que nesse mundo não se pode trocar de lugar.

Mas espero que isso não seja verdade, que um dia eu possa descer ou eles subirem ou melhor ainda que não tenham casas diferentes, que não tenham escadas, mas que todos fiquem no mesmo andar.

Utopia minha talvez, sim talvez…

Mas por quê não?

A minha esperança é que um dia todos esses conceitos se extinguirão, e estaremos todos juntos na presença do nosso Criador, que para Ele somos todos iguais e a beleza não está fora, não importa a cor da nossa pele, mas o que está dentro, a cor do coração.

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Ok?

O encontro

Os pensamentos dessa vida me sufocam

E me levam para o oceano de dúvidas. 

Assim tão longe eu me encontro;

Distante de Ti. 

E nesse lugar tão escuro, 

nesse buraco profundo;

A PALAVRA vem e me diz que esse amor vai além,

Que a Tua graça sempre vem. 

E então algo em mim se desperta. 

É a semente que brota,

brota para se tornar árvore VIVA, 

plantada em terra funda, 

plantada em Nosso SECRETO,

Nosso secreto encontro de amor profundo.

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São Paulo no fim de tarde dessa semana de primavera/verão.

Coração ensinável

Tenho uma história engraçada para começar este blog. Caso tenha convivido comigo por pelo menos um dia logo saberá que eu AMO pipoca. É meu lanchinho favorito, e claro que gosto mais da de fogão. Eu gosto tanto de pipoca que em todos os países que passei tentava dar um jeito de fazer.

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Pipoca feita para o tempo com o time na Mongólia – Abril 2015

Minha querida amiga e mentora no projeto, Megan, também amava pipoca, mas ela não sabia como fazer no fogão. Quando estávamos no Nepal em dezembro, ela veio nos visitar depois de passar 2 semanas no meio de vilarejos nos Himalaias. E querendo mimá-la um pouco ofereci pipoca, ela se surpreendeu com a possibilidade de poder fazer no fogão. Eu me lembro de ter me achado-“Claro que sei fazer no fogão, é muitooo fácil!”. Pronto com essas palavras eu cavei minha cova no mundo das pipocas. Resultado pipoca queimada e milhos não estourados.

“O orgulho vem antes da destruição;”  (Provérbios 16.18b)

Este exemplo é apenas uma história boba, uma entre as várias vezes que o orgulho enche nossos corações e a gente se perde.

Ultimamente tenho pensado muito como muitas vezes o saber demais, ou se achar, ou seja o próprio orgulho,  nos atrapalha em aprender a viver melhor, com coração mais humilde, com a vida mais leve.

O saber que se pode viver aprendendo com aqueles que a sociedade acha que sabem pouco, ou aqueles que não damos valor de seu conhecimento.

Ter um coração ensinável é ter um coração humilde,  que vive aprendendo com as crianças, com os jovens, com nossos pais, com os velhinhos…

É o coração que eu quero ter todos os dias. Não me colocando como a detentora de todas as razões.

Mas sorrir e dizer: “Deixe me aprender com você!”

Beijos de paz,

Dani

Ser generoso: Eu e você?

Eu olho para o trânsito de dentro do ônibus e conto 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9…NOVE carros com só uma pessoa dentro, o motorista. Fico me perguntando se não moram perto, se não estão indo para o mesmo lugar, me pergunto por quê não damos caronas? Por que temos receio, medo ou insegurança de oferecer carona? De ser mais gentil? Ser mais generoso?

Ultimamente tenho andado muito na cidade de São Paulo. Voltei para a vida na metrópole que amo e odeio. Depois de dois anos sem o cotidiano na cidade, volto para a vida de trânsito, transporte público e multidões.

Uma coisa tem me chamado muita atenção. Como somos egoístas. Todos nós!

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Sempre dizem que nas grandes metrópoles falta amor, e de fato falta mesmo. Não sei se só nas metrópoles, mas poderíamos mudar isso, não?

Acredito que ações podem se tornar cíclicas, e gerar um grande impacto.

Por que não oferecer ou conversar com as pessoas do seu trabalho e ver se vocês poderiam vir ou voltar juntos? Por que não oferecer carona para a pessoa no ponto de ônibus?

Por que não ser mais gentil no metrô?

Sim, parece que é a lei da selva, olho por olho, dente por dente, mas será que se fossemos mais generosos tudo não seria diferente?

Esses dias me lembrei de uma cena que vi há alguns anos, enquanto descia com a minha malinha de rodinha todas aquelas MIL escadas do metrô Pinheiros, me lembrei de quando estava visitando Londres e entre as várias andadas de metrô, vi uma menina tentar carregar sua mala nas escadas, um jovem londrino, logo prontificou-se em ajudá-la.

Para minha infelicidade ninguém se prontificou em me ajudar, mas será que eu teria?

Fica a dúvida e a sugestão em mudar nossas atitudes, pouco a pouco talvez encontremos um lugar bom para todos.

Amém?

RSRS

Doce Amargo – Despedidas

IMG_2099 (1).jpg      (Alunos tirando foto na colação de grau na Universidade de Harvard, quando fui                   visitar em Maio, e que me fez pensar em minhas despedidas).

Dizer ADEUS traz aquele amargo na boca. Aquela estranha sensação de não saber se voltará a viver  com aquilo. Aquela pessoa, aquela situação, aquele emprego, aquela temporada, aquela fase.

Não acredito que ninguém possa se despedir sem sofrimento. Se você não sofreu foi porque não se permitiu, mas o sofrer estava ali, fazendo casinha dentro de seu coração.

Já me despedi diversas vezes. De pessoas queridas, lugares lindos, empregos, temporadas de acampamento, viagens, situações, paixões, amizades…Tantas coisas.

Nossa cabeça sempre espera que seja para o SEMPRE, mas pra sempre nada nesta terra é, um dia chegaremos lá, entretanto hoje temos que nos acostumar a dizer tchau e entender que tudo tem seu tempo.

Acho que dizer adeus é um processo que todo mundo deveria enfrentar, rever e elaborar; talvez assim não fossemos pegos tão de surpresa quando algo acaba de repente.

Na viagem que fiz dos 11 meses por 11 países, fiquei craque na despedida dos lugares e das pessoas que convivíamos por apenas 1 mês, sabia que tinha apenas 30 dias ou menos.Tinha que aproveitar o momento, o AGORA. Também sabia que minhas conexões não seriam tão profundas, até porque não tinha tempo para construir raízes nos relacionamentos temporários.

No décimo primeiro mês, quando tive que dizer tchau para o meu grupo, pessoas que tinham virado família, foi muito sofrido. A despedida começou bem antes do último voo, quando então me separei fisicamente deles, sem saber ao certo se veria-os de novo ou o que poderia acontecer. Foi tão triste que chorei boa parte do voo da China para Austrália.

O meu até logo, entretanto, tinha começado 3 meses antes, quando comecei a escrever as cartas de agradecimento para os amigos.Refletindo e celebrando o tempo que vivemos juntos, e dizendo as coisas boas que tinha aprendido com cada um.

Assim em meio as lágrimas o amargo se torna doce, lembrando das histórias e risadas, do amor, carinho e cuidado que tínhamos. E então celebramos o TODO – o lindo, o feio, o feliz e o triste, de todas as fases, amizades e lugares.

Agradecer que faz parte do seu passado e da sua história, e que talvez um dia ainda seja parte de seu futuro. Agradecer que sente saudades, sinal que aquilo fez bem pra alma.

Existe um livro que fala do Doce Amargo (BittersweetShauna Niequist), e narra justamente o conceito de que precisamos desses movimentos na vida, do sorrir e do chorar.

“Doce amargo é a prática de acreditar que realmente precisamos dos dois, do amargo e do doce. Que uma vida só cheia de doçura, estraga seus dentes e também sua alma. Amargo é o que nos faz forte, o que nos força a prosseguir, é o que nos ajuda a ganhar as linhas em nossas faces e os calos nas mãos. Doce é bom o suficiente, mas doce amargo é lindo, colorido,  cheio de profundidade e complexidade. Doce amargo é corajoso, palpável e cheio de frescor.”

É o que faz você prosseguir no presente, sabendo aonde está seu passado e esperando o futuro,  que talvez seja doce ou amargo, quem sabe?

Beijos de paz,

Dane