O Homem por quem me apaixonei

Achei que ele fosse diferente.

Pensei que fosse do tipo acolhedor e sério, que busca o amor mais intenso e o encontro de almas.

Queria que ele também gostasse de usar roxo, e que também quisesse seguir a corrente boiando. (Entenda essa referência aqui.)

Queria que ele não deixasse a mochila dos pesos de expectativas da família sufocá-lo, enquanto tenta subir a montanha da Prata, para ao chegar do outro lado, perceber que com todo aquele tempo, a prata já escureceu.

Queria que ele percebesse que podia ir mais alto, mais alto do que o próprio teto que construiu para si.

Queria que ele também concordasse que um sorriso no rosto e a alma lavada, no fim do dia, valem mais do que um grande salário no fim do mês.

Queria mostrar para ele a menina dançando, o algodão doce rosa e a pipa voando no céu; mas ele nada conseguia enxergar pela tela do celular.

Queria, e como queria, que ele também acreditasse que nós DOIS poderíamos andar no mesmo caminho e viver no mesmo piso.

Gostaria que ele tivesse me tirado para dançar, mas quando olhei para o lado, ele não estava mais lá, porque no fim ele nunca existiu!

Então continuo na pista.

Ps: Esse texto é meu para todas as amigas e amigos que já criaram um mundo de expectativas e se apaixonaram por uma ilusão, quem nunca, né? Só sei dizer – ‘Eu também’, e acho que isso é o suficiente.

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Doce Amargo – Despedidas

IMG_2099 (1).jpg      (Alunos tirando foto na colação de grau na Universidade de Harvard, quando fui                   visitar em Maio, e que me fez pensar em minhas despedidas).

Dizer ADEUS traz aquele amargo na boca. Aquela estranha sensação de não saber se voltará a viver  com aquilo. Aquela pessoa, aquela situação, aquele emprego, aquela temporada, aquela fase.

Não acredito que ninguém possa se despedir sem sofrimento. Se você não sofreu foi porque não se permitiu, mas o sofrer estava ali, fazendo casinha dentro de seu coração.

Já me despedi diversas vezes. De pessoas queridas, lugares lindos, empregos, temporadas de acampamento, viagens, situações, paixões, amizades…Tantas coisas.

Nossa cabeça sempre espera que seja para o SEMPRE, mas pra sempre nada nesta terra é, um dia chegaremos lá, entretanto hoje temos que nos acostumar a dizer tchau e entender que tudo tem seu tempo.

Acho que dizer adeus é um processo que todo mundo deveria enfrentar, rever e elaborar; talvez assim não fossemos pegos tão de surpresa quando algo acaba de repente.

Na viagem que fiz dos 11 meses por 11 países, fiquei craque na despedida dos lugares e das pessoas que convivíamos por apenas 1 mês, sabia que tinha apenas 30 dias ou menos.Tinha que aproveitar o momento, o AGORA. Também sabia que minhas conexões não seriam tão profundas, até porque não tinha tempo para construir raízes nos relacionamentos temporários.

No décimo primeiro mês, quando tive que dizer tchau para o meu grupo, pessoas que tinham virado família, foi muito sofrido. A despedida começou bem antes do último voo, quando então me separei fisicamente deles, sem saber ao certo se veria-os de novo ou o que poderia acontecer. Foi tão triste que chorei boa parte do voo da China para Austrália.

O meu até logo, entretanto, tinha começado 3 meses antes, quando comecei a escrever as cartas de agradecimento para os amigos.Refletindo e celebrando o tempo que vivemos juntos, e dizendo as coisas boas que tinha aprendido com cada um.

Assim em meio as lágrimas o amargo se torna doce, lembrando das histórias e risadas, do amor, carinho e cuidado que tínhamos. E então celebramos o TODO – o lindo, o feio, o feliz e o triste, de todas as fases, amizades e lugares.

Agradecer que faz parte do seu passado e da sua história, e que talvez um dia ainda seja parte de seu futuro. Agradecer que sente saudades, sinal que aquilo fez bem pra alma.

Existe um livro que fala do Doce Amargo (BittersweetShauna Niequist), e narra justamente o conceito de que precisamos desses movimentos na vida, do sorrir e do chorar.

“Doce amargo é a prática de acreditar que realmente precisamos dos dois, do amargo e do doce. Que uma vida só cheia de doçura, estraga seus dentes e também sua alma. Amargo é o que nos faz forte, o que nos força a prosseguir, é o que nos ajuda a ganhar as linhas em nossas faces e os calos nas mãos. Doce é bom o suficiente, mas doce amargo é lindo, colorido,  cheio de profundidade e complexidade. Doce amargo é corajoso, palpável e cheio de frescor.”

É o que faz você prosseguir no presente, sabendo aonde está seu passado e esperando o futuro,  que talvez seja doce ou amargo, quem sabe?

Beijos de paz,

Dane