O Homem por quem me apaixonei

Achei que ele fosse diferente.

Pensei que fosse do tipo acolhedor e sério, que busca o amor mais intenso e o encontro de almas.

Queria que ele também gostasse de usar roxo, e que também quisesse seguir a corrente boiando. (Entenda essa referência aqui.)

Queria que ele não deixasse a mochila dos pesos de expectativas da família sufocá-lo, enquanto tenta subir a montanha da Prata, para ao chegar do outro lado, perceber que com todo aquele tempo, a prata já escureceu.

Queria que ele percebesse que podia ir mais alto, mais alto do que o próprio teto que construiu para si.

Queria que ele também concordasse que um sorriso no rosto e a alma lavada, no fim do dia, valem mais do que um grande salário no fim do mês.

Queria mostrar para ele a menina dançando, o algodão doce rosa e a pipa voando no céu; mas ele nada conseguia enxergar pela tela do celular.

Queria, e como queria, que ele também acreditasse que nós DOIS poderíamos andar no mesmo caminho e viver no mesmo piso.

Gostaria que ele tivesse me tirado para dançar, mas quando olhei para o lado, ele não estava mais lá, porque no fim ele nunca existiu!

Então continuo na pista.

Ps: Esse texto é meu para todas as amigas e amigos que já criaram um mundo de expectativas e se apaixonaram por uma ilusão, quem nunca, né? Só sei dizer – ‘Eu também’, e acho que isso é o suficiente.

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A trilha

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 Em 2015 tive a oportunidade de fazer um pedacinho de 4 dias dessa trilha famosa nos Estados Unidos, a Appalachian trail. Fazia parte do programa do curso de que participei,  e no processo a gente fez essa trilha em silêncio, falando o mínimo necessário. Em uma das noites passamos sozinhos em lugares diferentes da mata. Foi com certeza uma experiência única, já que eu não tinha muita vivência em trilha, e me fez pensar bastante sobre os caminhos e o momento que eu estava vivendo; pensando nisso esses dias me lembrei de um convite que tive recentemente.

Um grande amigo me convidou para trilhar um caminho bem diferente.

Tinham montanhas e vales, passava por dentro de rios e subia em muitas pedras, tinha momentos que pular de cachoeiras era necessário, e entrava em clareiras, lugares bem vulneráveis e abertos, nos quais tinham riscos de ataques de outros animais.

Eu não sabia e nem conseguia dizer onde esse caminho terminava. Aonde ele iria me levar.

Eu olhei bem para seus olhos e com receio pedi que Ele fosse comigo na minha trilha.

Eu pensava ser um caminho reto, plano, de terra batida, e que dos dois lados tinham apenas campos de lavanda, imensidão de flores perfumadas. Ao fundo do lado esquerdo se ouvia a música de um rio que nos acompanhava. Que delícia, pensei.

Meu amigo então me disse que estava tudo bem, que ele poderia ir comigo.

Então começamos a caminhar. Ele me deu a mão e andamos.

A priori tudo era lindo, gostoso. O sol estava atrás de nós e caminhávamos juntos, seguros.

Caminhamos quilômetros, horas, dias, semanas, meses…Quando percebi eu já estava entediada, nem o maravilhoso cheiro de lavanda eu sentia mais.

Comecei a andar me arrastando, parei em vários momentos e deitei no chão. Meu amigo carinhosamente deitou-se ao meu lado e esperou.

Eu olhava tudo a minha volta e não entendia – Como eu poderia estar entediada ali?

Nossos olhos se encontraram, e nesse olhar percebi que aquele não era o meu caminho.

Era de alguém, mas não o meu.

Me lembrei que meu coração tende a se entregar.

Meu caminho é diferente, é intenso, cheio de curvas, pedras, subidas e descidas. Às vezes chega em lugares lindos e muitas vezes anda em círculos.

Anda, anda e anda e ainda não chega em lugar algum.

 E tudo bem, meu amigo disse.

Porque esse é o Meu caminho e dele só eu posso sair.

Mas ainda assim Ele estaria ali comigo.

 Comigo Sempre no meu caminho.