Queria fugir desse lugar, baby

Queria largar tudo e sair correndo.

Queria correr para longe, fechar a porta e nunca mais olhar para trás.

Queria sair de onde cresci e não voltar nunca mais.

Mas isso não é um bom sinal, não.

Isso quer dizer que ainda preciso voltar para aquela casa antiga e abrir uns cômodos velhos. Arrejar algumas coisas e jogar fora outras tantas.

E me permitir sentar nesse vazio.

Porque é só nesse vazio que a gente consegue ver o que ainda cabe e o que não pode mais entrar nessa morada.

É voltando por esse caminho que a gente  se reconstroi.

Não dá pra fugir o resto da vida.

No fundo ninguém quer esse título de foragido. Ninguém quer ser Jonas, não.

É gostoso correr, mas gostoso mesmo é quando a gente tem aonde parar e descansar.

Para isso é preciso ficar e criar raiz, e me disseram que isso leva um tempo…

E  assim, quando as asas quiserem bater e sair por aí, sempre saberão a direção de volta para casa.

E nesse voar terão muito amor e gratidão.

1de5b03d662e2dcfd5f889c38bea11ab.jpg

 

 

Em Casa

cute_compact_homes_that_maximize_small_spaces_640_12
Minha casa dos sonhos é uma tiny home, com bastante espaço fora. Quem sabe um dia…

 Quando viajei pelo mundo, em 2014/2015, mudávamos todo mês para um novo lugar, e novas acomodações. Poucas delas eu poderia dizer que foram muito boas, a maioria eram situações pouco confortáveis, como um chão de piso que precisávamos encher nossos mini colchões de ar e colocar nosso saco de dormir para um acolchoado extra. Na Índia além do chão tinhamos ventiladores de teto, o que vou dizer que já era um conforto e tanto… O que mais nos transformou no decorrer daquele ano foi justamente que cada  vez precisávamos de menos tempo para nos ambientar e ir criando um espacinho para chamar de nosso, logo já estávamos abrindo a geladeira, guardando as coisas no armário e pilotando o fogão, a depender já estávamos nos sentindo em casa. Mas também confesso que não sentimos isso sempre, dependia muito do lugar e das pessoas que estavam ali, no fim carrego o hábito de ficar confortável fora de casa bem rápido, mas não  tem sentimento maior do que voltar para esse lugar que de fato nos sentimos em casa.

É onde o sorriso é doce e o suspiro profundo.

Onde saem os sapatos apertados, entram os pés descalços e os confortos de qualquer roupa.

É onde podemos estar nús, despidos de quaisquer máscaras que usamos durante o dia.  Podemos chorar e também chorar de rir.

Podemos trocar a música do rádio sem medo de ser feliz; cantar desafinado e dançar qualquer ritmo descompensado.

É onde não importa o gingado, o salário ou a cor do sapato.

Todos que vivem ali estão em casa.

Tampouco importa o tamanho, o tipo de móveis, o que tem na geladeira ou o que falta no armário.

O que faz essa casa é esse estranho e acolhedor sentimento de que ao passar por aquela porta, nada mais pode dar tão errado.

Aquele alívio de saber: “Cheguei, cheguei ao meu lugar seguro…”

E não necessariamente é o lugar, mas aqueles que são casa para mim.

 Nas tão doces palavras de Brennan Manning:

“A Casa é onde o coração está. É o lugar que o amor é bem-vindo, a aceitação sem julgamentos, beijos, carinho e hospitalidade – elementos que induzem um profundo sentimento de pertencimento.”