Em Casa

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Minha casa dos sonhos é uma tiny home, com bastante espaço fora. Quem sabe um dia…

 Quando viajei pelo mundo, em 2014/2015, mudávamos todo mês para um novo lugar, e novas acomodações. Poucas delas eu poderia dizer que foram muito boas, a maioria eram situações pouco confortáveis, como um chão de piso que precisávamos encher nossos mini colchões de ar e colocar nosso saco de dormir para um acolchoado extra. Na Índia além do chão tinhamos ventiladores de teto, o que vou dizer que já era um conforto e tanto… O que mais nos transformou no decorrer daquele ano foi justamente que cada  vez precisávamos de menos tempo para nos ambientar e ir criando um espacinho para chamar de nosso, logo já estávamos abrindo a geladeira, guardando as coisas no armário e pilotando o fogão, a depender já estávamos nos sentindo em casa. Mas também confesso que não sentimos isso sempre, dependia muito do lugar e das pessoas que estavam ali, no fim carrego o hábito de ficar confortável fora de casa bem rápido, mas não  tem sentimento maior do que voltar para esse lugar que de fato nos sentimos em casa.

É onde o sorriso é doce e o suspiro profundo.

Onde saem os sapatos apertados, entram os pés descalços e os confortos de qualquer roupa.

É onde podemos estar nús, despidos de quaisquer máscaras que usamos durante o dia.  Podemos chorar e também chorar de rir.

Podemos trocar a música do rádio sem medo de ser feliz; cantar desafinado e dançar qualquer ritmo descompensado.

É onde não importa o gingado, o salário ou a cor do sapato.

Todos que vivem ali estão em casa.

Tampouco importa o tamanho, o tipo de móveis, o que tem na geladeira ou o que falta no armário.

O que faz essa casa é esse estranho e acolhedor sentimento de que ao passar por aquela porta, nada mais pode dar tão errado.

Aquele alívio de saber: “Cheguei, cheguei ao meu lugar seguro…”

E não necessariamente é o lugar, mas aqueles que são casa para mim.

 Nas tão doces palavras de Brennan Manning:

“A Casa é onde o coração está. É o lugar que o amor é bem-vindo, a aceitação sem julgamentos, beijos, carinho e hospitalidade – elementos que induzem um profundo sentimento de pertencimento.” 

 

Doce Amargo – Despedidas

IMG_2099 (1).jpg      (Alunos tirando foto na colação de grau na Universidade de Harvard, quando fui                   visitar em Maio, e que me fez pensar em minhas despedidas).

Dizer ADEUS traz aquele amargo na boca. Aquela estranha sensação de não saber se voltará a viver  com aquilo. Aquela pessoa, aquela situação, aquele emprego, aquela temporada, aquela fase.

Não acredito que ninguém possa se despedir sem sofrimento. Se você não sofreu foi porque não se permitiu, mas o sofrer estava ali, fazendo casinha dentro de seu coração.

Já me despedi diversas vezes. De pessoas queridas, lugares lindos, empregos, temporadas de acampamento, viagens, situações, paixões, amizades…Tantas coisas.

Nossa cabeça sempre espera que seja para o SEMPRE, mas pra sempre nada nesta terra é, um dia chegaremos lá, entretanto hoje temos que nos acostumar a dizer tchau e entender que tudo tem seu tempo.

Acho que dizer adeus é um processo que todo mundo deveria enfrentar, rever e elaborar; talvez assim não fossemos pegos tão de surpresa quando algo acaba de repente.

Na viagem que fiz dos 11 meses por 11 países, fiquei craque na despedida dos lugares e das pessoas que convivíamos por apenas 1 mês, sabia que tinha apenas 30 dias ou menos.Tinha que aproveitar o momento, o AGORA. Também sabia que minhas conexões não seriam tão profundas, até porque não tinha tempo para construir raízes nos relacionamentos temporários.

No décimo primeiro mês, quando tive que dizer tchau para o meu grupo, pessoas que tinham virado família, foi muito sofrido. A despedida começou bem antes do último voo, quando então me separei fisicamente deles, sem saber ao certo se veria-os de novo ou o que poderia acontecer. Foi tão triste que chorei boa parte do voo da China para Austrália.

O meu até logo, entretanto, tinha começado 3 meses antes, quando comecei a escrever as cartas de agradecimento para os amigos.Refletindo e celebrando o tempo que vivemos juntos, e dizendo as coisas boas que tinha aprendido com cada um.

Assim em meio as lágrimas o amargo se torna doce, lembrando das histórias e risadas, do amor, carinho e cuidado que tínhamos. E então celebramos o TODO – o lindo, o feio, o feliz e o triste, de todas as fases, amizades e lugares.

Agradecer que faz parte do seu passado e da sua história, e que talvez um dia ainda seja parte de seu futuro. Agradecer que sente saudades, sinal que aquilo fez bem pra alma.

Existe um livro que fala do Doce Amargo (BittersweetShauna Niequist), e narra justamente o conceito de que precisamos desses movimentos na vida, do sorrir e do chorar.

“Doce amargo é a prática de acreditar que realmente precisamos dos dois, do amargo e do doce. Que uma vida só cheia de doçura, estraga seus dentes e também sua alma. Amargo é o que nos faz forte, o que nos força a prosseguir, é o que nos ajuda a ganhar as linhas em nossas faces e os calos nas mãos. Doce é bom o suficiente, mas doce amargo é lindo, colorido,  cheio de profundidade e complexidade. Doce amargo é corajoso, palpável e cheio de frescor.”

É o que faz você prosseguir no presente, sabendo aonde está seu passado e esperando o futuro,  que talvez seja doce ou amargo, quem sabe?

Beijos de paz,

Dane